Goiânia recebe o espetáculo "Boca de Ouro" com Malvino Salvador e dirigido por Gabriel Villela
    Um cordão típico das gafieiras mais tradicionais do país abre a versão de Villela para a tragédia carioca de Nelson Rodrigues (1912-1980), escrita em 1959. Usando confetes, serpentinas e máscaras, o diretor, responsável também pela cenografia e figurinos, cria uma encenação com aura de carnaval, embalada por 14 grandes sucessos que vão de Dalva de Oliveira, Herivelto Martins, Ary Barroso, Ataulfo Alves, Lupicínio Rodrigues a João Bosco, entre outros. No elenco estão Malvino Salvador, Lavínia Pannunzio, Mel Lisboa, Claudio Fontana, Chico Carvalho, Leonardo Ventura, Cacá Toledo, Mariana Elisabetsky, Jonatan Harold e Guilherme Bueno

     

     

    Depois de quase um ano de sucesso em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Belo Horizonte, Campo Grande e Porto Alegre e duas indicações ao Prêmio Shell de Teatro, o espetáculo Boca de Ouro será apresentado nos dias 2 e 3 de junho, no Teatro Madre Esperança Garrido. A tragédia carioca de Nelson Rodrigues, escrita em 1959, conta com a direção de Gabriel Villela (indicado ao prêmio Shell de melhor diretor). No elenco estão Malvino Salvador, Lavínia Pannunzio, Mel Lisboa (indicada ao prêmio Shell de melhor atriz), Claudio Fontana, Chico Carvalho, Leonardo Ventura, Cacá Toledo, Mariana Elisabetsky, Jonatan Harold e Guilherme Bueno.

    Boca de Ouro é um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que tem esse apelido porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Também é conhecido como o Drácula de Madureira. Quando Boca é assassinado, seu passado é vasculhado por um repórter. Sua fonte é dona Guigui, ex-amante do contraventor, mulher que, ao longo da peça, revela diferentes e contraditórias versões do bicheiro.

    Este é o mote da tragédia carioca Boca de Ouro, cujo papel-título é vivido por Malvino Salvador, na montagem de Gabriel Villela que chega ao Rio depois de quatro meses de sucesso no Teatro Tucarena, em São Paulo. Estão ainda no elenco Mel Lisboa e Claudio Fontana, como o casal Celeste e Leleco; Lavínia Pannunzio, que vive a transtornada Guigui, ao lado de Leonardo Ventura, que dá vida a seu fiel e apaixonado marido Agenor. Chico Carvalho é Caveirinha, o rodriguiano repórter que carrega em si o olhar afiado e crítico Nelson Rodrigues, jornalista que durante anos trabalhou em redações e conheceu ele próprio os vícios e contradições da imprensa. Cacá Toledo e Guilherme Bueno completam o elenco junto a Jonatan Harold, ao piano, e Mariana Elisabetsky, interpretando as 14 canções do espetáculo.

    Esta é o terceiro texto de Nelson Rodrigues encenado por Gabriel Villela. Em 1994 montou A Falecida, com Maria Padilha no papel título, e em 2009 Vestido de Noiva, protagonizado por Leandra Leal, Marcello Antony e Vera Zimmerman.

    Malvino Salvador fala de sua experiência na pele do bicheiro de Madureira e da expectativa com a temporada carioca: Essa peça foi muito importante na minha carreira pelo aprendizado que eu adquiri, por ter dividido o palco com grandes atores, por conhecer o universo do Gabriel Villela, que é um dos nossos maiores diretores, que tem uma personalidade vibrante, impressa nas suas montagens. Para mim está sendo muito importante fazer Boca de Ouro. Depois de uma temporada de sucesso em SP, tanto de público quanto de crítica, a peça tem o potencial de chegar aqui em Goiânia de uma maneira muito bonita, é isso que eu espero.

    SINOPSE
    Boca de Ouro (Malvino Salvador) é um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que tem esse apelido porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Quando Boca é assassinado, seu passado é vasculhado pelo repórter Caveirinha (Chico Carvalho), que vai até a casa da ex-amante Guigui (Lavínia Pannunzio). Lá, ouve a versão da ex-amante, que desanca o bicheiro. Ao saber de seu assassinato, Guigui se arrepende e exalta Boca como uma figura amorosa. Já no terceiro ato, Guigui volta a desancar o bicheiro, pois teme ser abandonada pelo marido Agenor (Leonardo Ventura). Nas três versões relatadas, surge o casal Celeste (Mel Lisboa) e Leleco (Claudio Fontana), que tem relação direta com o assassinato de Boca de Ouro.

    UMA TRAMA ATUAL
    As diferentes versões de Guigui para a morte de Boca de Ouro levaram Gabriel Viellela a fazer conexões com uma pesquisa recente da universidade de Harvard, sobre um fenômeno contemporâneo chamado pós-verdade. Villela explica: É um produto da modernidade tecnológica: você inventa uma história, realinha ideias, publica, arruma vários seguidores e isso se amplia, viraliza na internet e ninguém mais sabe sobre o que se está falando. Somos todos vítimas disso. (...) A Guigui é insuperável com três expedientes emocionais e psíquicos, ela conta três vezes a mesma história, embaralhando com maestria para que tudo seja incrivelmente verdadeiro.

    A MONTAGEM
    A ambientação idealizada por Gabriel Villela remete a uma gafieira, com mesas e cadeiras, revezando-se entre uma redação de jornal e as casas dos personagens.

    Dentro das iconografias do subúrbio carioca, Gabriel se utiliza da simbologia do Candomblé e das mascaradas astecas no espetáculo. A casa de Celeste e Leleco traz muitas representações de Orixás sincretizados. A figura de Iansã (Guilherme Bueno) aparece toda vez que uma cena de morte acontece - ela faz a contra-regragem das mortes.

    O Brasil retratado na cena: a política, as narrativas contraditórias, a libido, a festa da gafieira, o jogo do bicho, a fé e a música. Retratos de uma época que nos mostram que o Brasil pouco mudou, e que o dramaturgo nascido em Pernambuco em 1912 e radicado no Rio de Janeiro, nunca foi tão atual.

    Além da direção, Gabriel Villela assina os figurinos e a cenografia. A iluminação é de Wagner Freire, a direção musical e preparação vocal são assinadas por Babaya e a espacialização e antropologia da voz por Francesca Della Monica. Os diretores assistentes Ivan Andrade e Daniel Mazzarolo completam a equipe criativa.

    AS MÚSICAS
    Cidade Maravilhosa (Andre Filho)
    Vingança (Lupicínio Rodrigues)
    Ave Maria do Morro (Herivelto Martins)
    Lencinho Branco (Dalva de Oliveira)
    A Noite do Meu Bem (Dolores Duran)
    Na Cadência do Samba (Ataulfo Alves)
    Ne Me Quittes Pas (Jacques Brel)
    Última Estrofe (Orlando Silva)
    Eu Dei (Ary Barroso)
    O Ouro e A Madeira (Ederaldo Gentil)
    Hino ao Amor (Edith Piaf / M. Monnot)
    Não Deixe o Samba Morrer (Edson Conceição e Aloísio Silva)
    Bang Bang - My Baby Shot Me Down (Sonny Bono)
    De Frente Pro Crime (João Bosco)

    A CRÍTICA
    (Villela) Coloca no palco do Tucarena não só um carrossel de referências visuais, de imagens que remetem sequencialmente para todo lado, mas as integra com riqueza de significados ao texto rodriguiano - e às atuações, elas também com abundância de registros, inspirada no autor. São grandes atuações, a começar do personagem-título, que na caracterização de Malvino Salvador, dirigido por Villela, se mostra alternadamente frágil como uma criança, monstruoso e cinicamente inteligente. Já conhecido pela densidade que demonstrou em montagens cariocas, Salvador ganha agora ares de ator pleno, pronto para grandes papéis. (Nelson de Sá, Folha de São Paulo)

    Há soluções cênicas dignas de nota, resultado da combinação entre engenho, objetos do cotidiano e uma apurada iluminação. O tamborilar de dedos na mesa reproduz à perfeição o som das máquinas de escrever, varas de bambu tomam o lugar de adagas japonesas e taças de vidro cumprem o papel de telefones. (...) Ainda que se trate de um traço recorrente na trajetória desse criador, a exuberância visual aqui alcança patamar distinto de seus trabalhos mais recentes. Em Boca de Ouro, a beleza de uma cena não se encerra em si; o apuro estético está a serviço do conjunto. (Maria Eugenia de Menezes Estadão)

    Costumo escrever a matéria de um espetáculo um ou dois dias após a ele ter assistido, mas quando o deslumbramento é muito grande procuro dar um tempo, esperar a poeira baixar e então voltar a ele, com menor perigo de adjetivar demais. Já faz uma semana que assisti Boca de Ouro e ainda me sinto tocado pela beleza e perfeição da leitura de Gabriel Villela para o texto de Nelson Rodrigues. (José Cetra, Palco Paulistano)

    Ficha Técnica
    Texto: Nelson Rodrigues.
    Direção, Cenografia e Figurinos: Gabriel Villela.
    Elenco: Malvino Salvador, Lavínia Pannunzio, Mel Lisboa, Claudio Fontana, Chico Carvalho, Leonardo Ventura, Cacá Toledo, Mariana Elisabetsky, Jonatan Harold e Guilherme Bueno.
    Iluminação: Wagner Freire.
    Direção Musical e preparação Vocal: Babaya.
    Espacialização vocal e antropologia da voz: Francesca Della Monica.
    Pianista: Jonatan Harold.
    Diretores assistentes: Ivan Andrade e Daniel Mazzarolo.
    Foto: João Caldas Fº.
    Produção executiva: Luiz Alex Tasso.
    Direção de produção: Claudio Fontana.

    Sobre a Vivo e o apoio à Cultura
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    Serviço
    Boca de Ouro
    Local: Teatro Madre Esperança Garrido
    Data e Horário: Dia 2 de junho (sábado), às 21h Dia 3 de junho (domingo), às 20h

    Ingresso:
    Plateia Inferior: R$ 100 (inteira) / R$ 50 (meia-entrada)
    Plateia superior: R$ 70 (inteira) / R$ 35 (meia-entrada)

    Vendas:
    Cartão de crédito: www.compreingressos.com e call center 4052-0016
    Komiketo da T-4 (St. Serrinha).

    Descontos de 50% para estudantes e pessoas de idade igual ou superior a 60 anos.

    Gratuidade para deficientes físicos

    Informações: 3212-3531
    Duração: 100min

    Classificação: 14 anos